[Eu esperando um encontro antropofágico e me aparecem com pratos insípidos.]
Juro que não sei se é porque convivo com muitas pessoas o dia inteiro que acabo entendendo um pouco de comportamentos e posturas das mesmas. Minha convivência diária com crianças, adolescentes e na maior parte das vezes senhoras e senhoras de meia idade; nos lugares em que trabalho traz-me a vantagem saber como funciona o caos que criam em suas próprias cabeças e, como sou uma boa observadora, sento, olho e aprendo.
Não queria participar desta mesa pesada, onde uns cavalgavam em jegues e outros em cavalos alados, portanto, fui de carro quase a contragosto. Para facilitar a fuga de libarem-me as energias positivas.
Como fui intimada por uma das convidadas, e como sempre me sinto mais poderosa do que devo ser em situações de risco: ACEiTEi!
Sabe, chega a ser constrangedor ver um ser humano tão nervoso como vi aquela mulher, ela falava pelos cotovelos, alto, gesticulava sem parar e tomava cerveja constantemente. Pedi creme de papaia, sorvete e licor de casis, o comi lentamente, em colheradas rasas.
Do lado diagonal oposto, á minha frente, outro inquieto. Ele clamava assuntos seus, seus e seus! Não me interessavam... mas era o que cabia a mesa, já que a recepção fora feita por sua presença na cidade. No entanto, recontar as histórias que já havia lido ou que lerei mais tarde pra mim soavam como blá blá blás.
Achei chato. Entrei num estado de torpor em que mesmo sem querer já sabia as palavras que saíram ou que engasgavam nas falas alheias, era como um prato principal sem tempero algum, insípido!
A situação toda era favorável para se fazer um belo e saboroso encontro antropofágico, onde havia todos os ingredientes ao redor da mesa, mas ninguém quis começar pelas bordas frias – talvez pelo excesso de massa ou medo de queimar a língua com a parte interna fervente!
Repito, chato, sem graça, sem sabor e sem riso algum espontâneo.
No final, a mulher nervosa me abraçava, não me largava de jeito algum e dizia que estava grata em me conhecer... GRATA? Eu hein, sorte a minha manter minhas insanidades somente para mim. Deveria ter recomendado algum terapeuta, talvez assim ela poderia me agradecer justamente.
Pensem comigo... Será que ela me agradeceu por eu não ter me manifestado, pelo meu estado tedioso de torpor, pela meia dúzia de palavras que proferi quando estas se engasgavam no meio do caos de pensamentos outros que não os que ela proferia? Ahhh vai entender.
Mentira, eu entendo! Como disse logo no início, eu entendo...
Obs.: O medo é criador de cada situação constrangedora. Então, aqui vai uma dica: Se souber o tamanho de suas capacidades, não temerá nada! Agora, se não tiver capacidade alguma, fale alto, sem parar, gesticule bruscamente, ao menos, seu opositor achará assustador tudo isto e ficará somente quieto, vislumbrando tal cena bizarra.
sábado, fevereiro 24, 2007
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